Boquiaberto!
Não quero me acostumar demais com as manhãs, nem com o pôr-do-sol, pois vou perdê-los em breve. Nem quero me acostumar com a vida a ponto de ela se tornar uma mesmice... Vida não é sempre novidade? Quero levantar todas as manhãs e surpreender-me com o “estar vivo” e passar o dia assustado com meu corpo que respira, transpira, pede e clama por ‘mover-se’, achar estranho o milagre do momento meu e do cosmos (não é a mesma coisa?). Vida é simplesmente o principal, apesar de, às vezes, a tratarmos como acessório. Vida é aquilo que não se pode desprezar, nem deixar pra depois. Portanto, quero sentir saudade de tudo assim que acabar de fazê-lo: saudade de beijo depois do beijo, saudade do abraço logo depois do braço, saudade de todos que acabaram de se despedir e que logo poderei reencontrar, saudades de mim quando vou dormir e dormir sem sonho... Ai, quero me reencontrar no despertar... Que vontade de desconstruir....!!! Mas, isso, fica pra depois... primeiro, preciso construir; depois eu penso nisso... A vida é o principal, o corpo que pede algo mais, mas que não precisa de nada além de outras vidas.
O que ouço me invade, o que sinto me invade, o que sou me invade... tudo o que leio me invade... tenho todo o mundo, mas sou só... só eu e a palavra que me dita...
É o som a lança que traspassa...
Não respeita vísceras, nem dor...
E, quando pensa que chegou, vai mais...
É bom demais que chega a ser ruim...
Tanto prazer que dói...
É ouvir que dá pra ver...
É prazer demais que sofre em si...
E são todas as minhas imaginações...
E todas as minhas canções de ninar...
São todas as minhas cores...
Minhas impressões...
Minhas fugas de Bach...
É o som a lança que traspassa...
Não respeita vísceras, nem dor...
E, quando pensa que chegou, vai mais... mais...
Giovanni
“A felicidade tem sinônimos: a força forte e a rima pobre da palavra amizade; o calor da mão dada; a bondade plantada (quiçá colhida); a descoberta sábia da ignorância e um despertar do eterno e completo aprendiz. É um meio termo do equilíbrio e um constante exalar paulatino do amor estocado, levemente destilado, dor purificada; a simples chance da vida.” (Giovanni)
Desde a primeira leitura em voz alta, desde o primeiro contato com a obra, com as marcações de palco e os gestos, jeitos e trejeitos que as acompanham, compreendemos a linguagem, o cerne da questão, absorvemos o “feeling’ do roteiro. Até decoramos bem todas as falas, intenções, acentos, entramos no personagem... para atingirmos o sufoco e o engasgue e, depois, entendermos que a arte de improvisar e o poder de transgredir farão a condução de toda a trama: vícios ou valores, paixões ou não... decidir ou duvidar, ordem-caos ou caos-turbilhão... Diz pra mim: quem escreve os seus papéis? Diz, ainda, quem dirige seus atos, sua peça. Diz quem dita as ordens e por quê você obedece o mesmo vai-e-vem das cortinas. A propósito, é tragédia, é comédia, ou um comportado baile de máscaras? Diz. Quero saber.
Quando eu era pequeno
Gostava de pisar folhas secas
E ninguém me entendia.
Eu explicava,
Ninguém entendia.
Eu ficava meio triste,
Meio chateado,
Mas, continuava pisando as folhas.
Mesmo sem saber se elas sofriam
(folhas secas estão mortas ou vivas?
E, se estão mortas, merecem ser pisadas?)
Entendi cedo demais
Que ninguém me entendia
Os cheiros e as imagens que eu sentia
Estou só no mundo
Com meus cheiros, minhas imagens e meus dias...
Todos as minhas vozes ao mesmo tempo, burburinho... Estou calado, silente, pasmo... Distinguindo a mensagem...
"Releve a agonia por pretensões vis... releve os desejos oriundos da também oca vaidade... Entregue-se, sem pressa, à despojada simplicidade: seja plenamente o que você pode ser (use toda a sua força pra isso); sinta-se à vontade com a sua existência, esse instante-tesouro breve e misterioso...Comporte-se e contenha-se no que for preciso. Abuse da sua principal qualidade: vivacidade, - porque somos da ordem dos felizes." (Giovanni)
"Não te preocupes com amores que não vêm. Antes, entretenha-te com o AMOR que porventura não tenhas ainda, portanto, não podes dividir." (Giovanni)
Ai, ai...
“O que nos resta, a parte que nos cabe, a que devemos nos reduzir, a nossa missão é: fluir, planar, flutuar... qualquer coisa que não force, que não almeje, que não pretenda, que não despenque como corpo que invoca gravidade. Tudo o que nos é permitido está entre ser tudo meio que sem querer e morrer de vontade um pouco de não ser.” (Gigio)
Isso aqui foi postado lá na comu da Manu... por mim, é lógico...
É possível largar tudo e recomeçar sempre... em qualquer idade... acredite! E, o fato de pensarmos em largar as coisas não tem nada a ver com falta de desempenho, nem motivação... às vezes, é exatamente o 'romper' que faz o 'viver'... Ninguém inteligente consegue viver 'na mesma' por muito tempo, porque Deus é um turbilhão de novidades o tempo todo e nós temos essa essência... Redescobrir e renovar (nem que seja sempre a mesma coisa)... o 'novo' deve estar sempre no nosso cotidiano, na nossa vida, nos nossos relacionamentos... Vamos largar o que nos aprisiona e rever os nossos conceitos, ver se estamos acomodados... mas, uma vez descoberto o caminho, não tenha medo de seguir, não marque a volta atrás com pedacinhos de pão, vc não vai se perder se contar com sua imortal criatividade.
Quero ser ser sem bússola...
“Será convicção ou teimosia esse velho jeito de pensar? Estar aportado, cônscio demais é demasiado árduo, pesa tanto quanto âncora... Quem disse que quero vislumbrar a vista do porto? Quem disse que há graça em ver todo mundo chegar depois da tempestade e só você seguro em bonanças? Nunca vi viajar sem sair do lugar. Pois eu digo, quero destratar meus medos, quero pensar todo dia diferente... um rio intermitente... às vezes seca; às vezes cheia... às vezes eu... às vezes desconhecido... ás vezes salvo... às vezes náufrago... às vezes riso... às vezes descontentamento... às vezes grito; ás vezes silêncio mortal... e daí?”
Eu queria ter um megafone, igual ao 'homi' da fruta... que não sabe pronunciar melão, nem quiwi (acho que é assim que se escreve)... Ai, a vida... kkk tudo se resume a um breakfast, um pouco de bloqueador solar e um caminhar contra o vento... hum, talvez, muito talvez, água de côco... ah, caminhar contra o vento... isso é tudo!
Escrevo porque necessito
Gerar com propriedade
O que sou e o que sinto.
E, porque o meu amor, amor,
Não tem filtro.
É um amor impuro
E não quer ser um amor medido
É um amor de veia, não de teia
É um coração que respira e que anda
Não é vegetal
É animal
Apesar de sua parte erodida
Mas escrevo porque necessito
Gerar com propriedade
O que sou e o que sinto
E, porque o meu amor, amor,
Não tem filtro...
Giovanni
Teus sinais de farol,
Tua ponte oscilante,
És rumo ou perda?
Teus artificiais amores,
Teus rumores de si mesmo,
És trilha ou esconderijo?
Teus passos de entrada,
Teus "vai-e-vem",
Teus descuidados,
Teus des-beijos, des-abraços
Com tudo isso...
Sê bem-vinda!